A expectativa entre integrantes do Partido Liberal (PL) é de que o ex-presidente Jair Bolsonaro atue diretamente para solucionar a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Segundo aliados da ex-primeira-dama, a pacificação do cenário interno depende do atendimento de demandas políticas defendidas por Michelle dentro da legenda. Integrantes da sigla avaliam que Bolsonaro tem papel central para arbitrar o conflito e evitar desgastes às vésperas das convenções partidárias.
Um dos episódios que evidenciou a influência da ex-primeira-dama ocorreu durante as articulações em Roraima. O deputado federal Hélio Lopes corria o risco de perder a indicação do PL para disputar uma vaga no Senado. Diante do impasse, Jair Bolsonaro interveio e, por meio de Michelle, enviou ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o recado de que a candidatura deveria ser mantida.
Após a decisão, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo ao lado de Hélio Lopes confirmando a pré-candidatura, gesto que foi interpretado por integrantes da legenda como um sinal de que a situação havia sido superada.
Nos bastidores, dirigentes do PL avaliam que o momento escolhido por Michelle para tornar públicas suas insatisfações foi estratégico. Isso porque ainda há espaço para alterações nas chapas antes das convenções partidárias, previstas para ocorrer entre julho e o início de agosto.
Apesar das movimentações, interlocutores do partido afirmam que ainda há dúvidas sobre o nível de conhecimento de Jair Bolsonaro em relação à dimensão do desgaste entre Michelle e Flávio.
Desde que a ex-primeira-dama divulgou vídeos expondo o desconforto, lideranças do PL têm atuado para reduzir os impactos da crise e preservar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro é considerada uma das principais lideranças do bolsonarismo junto ao eleitorado feminino, segmento visto como estratégico para ampliar a competitividade do senador em uma eventual disputa pela Presidência da República.

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